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Conviver em grupo não é uma tarefa difícil
Conviver em grupo não é uma tarefa...

Conviver em grupo é necessário e só não é difícil se aceitarmos a diversidade que cada indivíduo possui. Mas será que estamos preparados para aceitar? Ou somente para julgar?

            Aprender a viver em um ambiente de diversidade é um dos principais desafios do mundo contemporâneo e da Educação. Ao longo da vida encontramos todo tipo de diferença: de gênero, raça, valores, religião, ritmos de aprendizagem, configurações familiares etc. Diante dessa realidade, pregamos o discurso da tolerância e do respeito. No entanto, nem nos perguntarmos sobre a origem das atitudes discriminatórias.

A diversidade é uma construção social. Ao definirmos pessoas ou atitudes como estranhas, estamos comparando-as aos parâmetros previamente estabelecidos pela sociedade em que vivemos, ou por regras que construímos ao longo de nossas vidas. O que entendemos por normal, correto e direito é o que nos faz observar no outro e muitas vezes discordar e até mesmo se afastar.  Quem dita ou reforça os padrões culturais e estabelece as normas são os grupos e as instituições com capacidade de influenciar a sociedade, ou seja, a escola, a família, os amigos, a televisão, os jornais, as revistas, a internet, as redes sociais. Mas qual o poder da escola diante de atores tão pouco abertos à tolerância?

Primeiro, devemos perceber que a falta de abertura não significa necessariamente rejeição. É preciso assimilar a conduta do outro para depois se posicionar a favor ou contra, seguindo nossos princípios. O outro é visto com frieza ou até mesmo com desconfiança e temor por representar uma ameaça ao universo conhecido. Sob esse ponto de vista, a reação agressiva ou indiferente àqueles que subvertem nossas convicções sobre o "verdadeiro modo de ser" funciona como uma forma de autoproteção. Esta atitude está ligada a primeira impressão que temos do diferente. Mas será que a primeira impressão é realmente a que fica?

Muitas vezes na primeira conversa com alguém, julgamos a pessoa como maravilhosa e somos tomadas por um encantamento jamais visto. Com o tempo e a convivência começamos a nos dar conta de que as atitudes da pessoa não condizem com suas doces palavras, aí sim podemos aceitá-la no grupo que convivemos ou não. Mas para que tudo isso aconteça, precisamos de um tempo para conhecer e estabelecer se as regras usadas pela pessoa que está entrando no grupo são realmente as regras que julgo corretas.

Contudo, além de buscar o entendimento racional daquilo que foge à nossa familiaridade, é preciso sentir e experimentar o outro, deixando que ele nos afete emocionalmente. Acredito que o contato afetivo é o único capaz de transformar a qualidade das relações pessoais. O que me encanta no outro? O que me incomoda? O que me aterroriza? Provocar essas perguntas e despertar a curiosidade nos alunos também é tarefa da escola.

Se depois de todas as tentativas de entender e aceitar o outro da forma com que ele vê e age, eu não consigo integrá-lo ao meu grupo social, aí sim saberei que não é necessário que eu faça parte do mesmo grupo ao qual o outro pertence mas que é necessário sim que eu aprenda a conviver com ele de outras formas, pois eventualmente poderei encontrá-lo em festas ou reuniões.

Conviver com o diferente é necessário, mas aceitá-lo como regra não. Cada um é livre para fazer suas escolhas.

Professora Patrícia Marafon Bogoni.